HOMENAGEM AO MEU MELHOR AMIGO!!!

Era 1994 e eu tinha apenas 14 anos.

Eu não me recordo desse detalhe, mas meu Pai disse-me que fui eu quem apontou e disse: “- É aquele ali!”.

Nascia então uma amizade sem precedentes. Algo que só percebemos agora, quase ao fim.

Meu cão, o Ruffus (um Cocker Spaniel), está com câncer. Melanoma. Extremamente maligno e violento. Foi diagnosticado a 2 semanas, mas pela velocidade que o tumor em sua face cresce, ele deve estar com a doença a alguns meses.

Hoje ele piorou muito… Não consegue andar… É de cortar o coração. Não tem como conter as lágrimas… Me pego chorando involuntariamente, lembrando tudo o que passamos ao lado dele. Afinal, ele tem 16 anos e isso teoricamente (na idade dos cachorros) gira em torno dos 100 anos.

Claro, ele está velhinho. Obviamente que o dia de sua morte chegaria… Isso é inevitável… Mas agora? Dessa forma? Acho que eu não estava preparado… Na verdade, acho que nunca estaria preparado.

Eu o considero um “highlander” dos cachorros. Até ano passado (com 15 anos), fora uma infecção de ouvido, ele nunca teve outro problema. Sempre alerta, genioso e comilão. A hora do almoça era sua preferida. Ele ficava o almoço inteiro ao meu lado, sempre esperando o momento em que eu lhe daria as sobrinhas de carne, ou as batatas… Ah sim, ele adora uma batata souté.

Agora ele está mal. Bem mal. Hoje mesmo está sendo um dia muito ruim, e acho que ele não chega até o final dessa semana.

Resta-me ficar ao lado dele o maior tempo possível, pois para ele, era sempre um ENORME prazer para ele ficar ao meu lado! Nem que fosse para nada fazer, apenas dormir.

Quando eu assistia TV, ele vinha de mansinho e deitava-se próximo a mim com a sua cabeça acomodada em cima de um de meus pés, assim, ele podia dormir tranqüilo, pois qualquer movimento que eu fizesse, ele sabia que eu estaria me levantando, então ele poderia acordar e seguir-me para outro cômodo.

Que amigo tem tanto prazer em ficar ao seu lado como da forma que o Ruffus fazia? Ele odiava ficar sozinho. As vezes chorava, mesmo depois de velho, pois não gostava de ficar em casa sozinho. Até por isso, fazíamos isso muito pouco. Sempre tinha alguém em casa com ele.

E a sua felicidade quando voltávamos de viagem? Chegava a fazer “xixi” nele mesmo, de tanta alegria.

Ou a braveza quando eu me levantava do sofá com a mala na mão, pronto para ir para uma competição. Latia, corria para porta, tudo para tentar evitar minha partida.

Ele é um cão tão amigo que meus amigos chegaram a usar a palavra Ruffus como sinônimo de amigo. A expressão comum era: “- Poxa cara, tu é muito Ruffus”. Esse era o suprassumo do elogio para expressar amizade.

Obrigado Ruffão! Obrigado meu amigão! Por ter participado de mais da metade da minha vida até agora. Por provar que a amizade vai muito além de conceitos pré-estabelecidos pelo homem.

Só espero que você não sofra. Que não sinta dor. E saiba que se estiveres muito cansado, podes deitar sua cabeça sobre meu pé e então embarcar em um sono profundo e para sempre. Você já fez tudo, e mais um pouco, do que um amigo pode esperar.

Um grande abraço do seu amigo que lhe ama!

FISCHER.

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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