INESQUECÍVEL…

Reproduzo aqui, o texto do grande jornalista Plínio Rocha…Obrigado Plínio!

Abraço!

NA RAIA

INESQUECÍVEL

Plínio Rocha
Publicado em 13/05/2008
Fonte: Best Swimming – LANCE!

O esporte é uma coisa legal pelos momentos que proporciona,
principalmente. Resultados, índices e medalhas são legais, claro, mas
existem alguns fatos que quase passam despercebidos. Mas nunca por todo
mundo.

Pois foi no 100m peito masculino o momento que mais me marcou no Troféu
Maria Lenk que definiu quem iria para a Olimpíada de Pequim.

A prova foi a melhor da história da natação brasileira. E você vai dizer
que meu destaque será o muito bom tempo de Henrique Barbosa, certo? De
fato, foi histórico, uma performance “de homem”, como ele mesmo me
disse. Mas não é aí que eu quero chegar.

Você vai dizer, então, que me refiro a Felipe França, um garoto que
nunca nem sequer foi campeão brasileiro, de nenhuma categoria, e que
agora vai estrear na Seleção Brasileira justamente numa Olimpíada. Meu
ponto ainda não é esse, ainda que eu reconheça a evolução impressionante
desse atleta, extremamente forte e que ainda pode melhorar muito.

A conclusão, então, é de que Felipe Lima será meu destaque, por ter
nadado para o índice, também, e perdido sua vaga numa disputa
acirradíssima com os rivais, certo? Também não.

O que mais foi legal no 100m peito foi ver Eduardo Fischer nadar! Depois
de sua série, na tarde de sábado, quando fez o índice olímpico (1.01.49), não há
quem não tenha ficado emocionado. A maneira como ele saiu da piscina,
como vibrou, como gritou, como comemorou, como estava feliz com aquilo
que havia obtido.

E não, caro internauta, ele não estava comemorando uma classificação
precoce, como muita gente interpretou. Muito pelo contrário. Fischer
saiu da piscina extremamente consciente de que seu tempo não era
suficiente para garantir-lhe uma vaga na equipe que viajará para Pequim.

Por que, então, aquela euforia toda, você pode perguntar?

Porque Fischer tem sangue correndo nas veias. Porque sabe das
dificuldades que atravessou, e tem atravessado, para continuar
competindo da maneira que está. Um cara de 28 anos, que não melhorava
seus tempos há quatro anos e que está tendo de conviver com o sentimento
que talvez seja o pior para um atleta, o de perceber que não consegue
repetir as performances que fizeram dele o peitista mais premiado da
história deste país.

Foi bonito vê-lo emocionado. Não tem como falar diferente disso. Foi
legal vê-lo apontar para a tatuagem olímpica que tem no braço, mostrando
que sonha com isso, ainda, sim senhor. E só sonha porque já esteve lá, e
sabe que estar lá é a sensação mais maravilhosa que o esporte pode
ter-lhe proporcionado. E só sonha, mais ainda, porque acredita que pode
se dar a esse privilégio. O sujeito é um campeão. Sempre será!

“Plínio Rocha é jornalista, formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou como repórter na Rádio Jovem Pan AM e está no LANCE! desde 2000. Hoje, exerce a função de editor do Diário. Além, claro, de ser nadador amador. Nas horas vagas”.

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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