29/07/2010 22:02
PAN-AMERICANO 2007
A CONTA NÃO FECHA
Divulgação
MICHEL CASTELLAR

Exatos três anos após a realização dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, as contas dos gastos nas disputas ainda são questionadas nos tribunais, e as instalações esportivas erguidas não se transformaram em centros de desenvolvimento de talentos. E ao mesmo tempo que o governo federal admite que pode não ter como comprovar até R$ 1 milhão em despesas, ele se tornou o melhor exemplo de como aproveitar o legado.

O secretário nacional de Esportes de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, informou que o governo federal gastou R$ 1,6 bilhão no Pan 2007. Deste valor, o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a aplicação de R$ 50 milhões.

– Ainda estão em análise R$ 25 milhões. Já comprovamos que está tudo certo com a outra metade, tanto que não sofremos sequer uma condenação. Explicaremos tudo o que foi gasto e como foi gasto, mas não sei se vão aceitar as justificativas e os comprovantes que apresentaremos para cerca de R$ 1 milhão em despesas – disse Leyser.

Caso o rombo de R$ 1 milhão seja caracterizado, cerca de R$ 400 mil referem-se somente a hospedagens.

COMO DEVERIA SER

Fora dos tribunais, o governo federal deu um exemplo de como aproveitar o legado esportivo e social do Pan. O Complexo Esportivo de Deodoro, na Zona Oeste, que compreende os Centros Nacionais de Tiro Esportivo, Hipismo, Pentatlo Moderno e Hóquei sobre Grama, se voltou para o desenvolvimento esportivo.

Desde o fim do Rio 2007, 81 competições aconteceram em Deodoro, além do desenvolvimento de projetos sociais, como a escolinha de hóquei sobre grama, que tem 130 alunos da rede pública de ensino. A instalação será utilizada nos Jogos Mundiais Militares Rio 2011.


Com a palavra

Grande problema é a falta de gestão

Marcelo Mello

PROFESSOR DE ECONOMIA DO IBMEC-RJ

Esse tipo de problema é típico da bagunça brasileira e da falta de gestão. Sem uma administração eficiente, a ocorrência de fatos dessa natureza são mais fáceis de acontecer. Por exemplo, o Pan teve uns três orçamentos que elevaram cada vez mais o custo. E isso é questão de gestão.

O grande problema é que o dinheiro é público. E justamente por ser público deveria ser melhor administrado. Não importa se estamos falando de valores de R$ 1 bilhão, R$ 1 milhão ou R$ 10 milhões. Qualquer valor deve ser bem empregado e justificado.

Com certeza, caracterizado o problema na prestação de contas, o TCU vai tomar providências. E que sirva de lição para 2016.


Pan não serve para 2016

O Tribunal de Contas do Município (TCM) não aceitou um dos principais argumentos usados pelos organizadores para justificar a realização do Jogos Pan-Americanos e deixou isso claro em sua análise.Para o TCM, o fato de servir de trampolim para a conquista da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 não era um motivo para a ocorrência das competições.

– Por si só, tal interesse não ensejaria a realização do investimento naquele momento – escreveu em seu relatório o TCM.

Após concluir sua investigação nos contratos celebrados pela prefeitura do Rio, o TCM apontou vários problemas de infraestrutura nas instalações. Pela análise apresentada, ao fim dos Jogos, o Estádio Olímpico João Havelange, o Parque Aquático Maria Lenk, a Arena Multiuso, além do Velódromo, conviviam com infiltrações, desgastes em juntas, falhas de impermeabilização.

Os inspetores do TCM recomendaram o reparo dos problemas que, tempos depois, foram realizados.


Iphan: lição aprendida

Por não consultarem o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) antes de realizarem os seus projetos, os organizadores do Pan tiveram de parar as obras por diversas vezes, e também se explicarem na Justiça. Mas o superintendente do órgão no Rio, Carlos Fernando Andrade, assegurou que a preparação para os Jogos Rio-2016 ocorre de maneira diferente.

– Eles aprenderam com os erros do Pan e, agora, antes de fazerem algo, perguntam ao Iphan se há algum problema – revelou Carlos Fernando.

Segundo ele, o aprendizado serviu para que até o momento tudo esteja em ordem. A única revisão de projeto a ser realizada é a do Maracanã, pois algumas alterações precisam ser feitas.


Candidatos se comprometem

Os três principais candidatos à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), já se comprometeram com a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Todos asseguraram que os erros cometidos nos Jogos PanAmericanos de 2007, como a falta de conclusão de obras e legados para a cidade, além da má utilização das instalações, não voltarão a ocorrer.

Autor: Swim It Up! Clipping
Notícia publicada em Lance!