The Swimming “Facts”

O texto a seguir não tem citações de estudos científicos publicados… e sequer tem a supervisão de algum profissional da área da saúde.

Apresenta-se apenas como uma constatação de “fatos” ligados à natação de alto rendimento que eu correlaciono com a minha experiência de ex-atleta profissional nesse esporte fantástico!

Fiquem à vontade para discordar, criticar, debater ou elogiar. Contudo, o façam de forma identificada. Comentários sem identificação válida, não serão publicados. Certo senhor “hahaha@op.com”?!

Seu comentário “ofensivo” (como você mesmo descreveu minha postagem) não será publicado com a minha “voz de bixa”. Engraçado que pra quem fala em “post machista”, sua descrição “bixa” é bem mais ofensiva do que a expressão “culhão”. Enfim, tenho pena de você, mamãe não deu atenção suficiente, né? Freud explica!

Amenidades inúteis de lado… vamos lá:

8 “fatos” da Natação de Alto Rendimento:

1 – IDADE: Via de regra, nadadores (masculinos) de alto rendimento atingem seu auge antes dos 30 anos de idade. Muito difícil encontrar atletas de natação participando de Jogos Olímpicos com 30 anos ou mais. E ainda mais difícil encontrar nadadores nessa faixa etária no pódio Olímpico. Vou pedir ajuda para meu amigo Daniel Takata levantar essa estatística, mas arrisco dizer que o percentual de atletas medalhistas olímpicos com 30+ não chega à 20%. Por que?! Não sei exatamente, mas tenho teorias que serão descritas à seguir… de qualquer forma, salvo exceções, nadador de 30 anos é nadador velho. Fato (1)!;

2 – PRECOCIDADE: Nadadores começam cedo. Bastante cedo. Fato (2)! Então você vai me dizer que vários esportes (senão todos) são iniciados cedo. Ok, mas não estou avaliando outros esportes, estou avaliando a natação de forma individualizada. Além de começar cedo, começam treinando muito! Garotos com 11/12 anos já “rodam” 6, 7 ou 8 quilômetros – ou até mais – dependendo da “escola”.

A verdade é que antigamente (quando eu era moleque), ainda se pensava que quanto mais, melhor. Hoje isso mudou. Prevalece a qualidade sobre o volume. Mas ainda assim, nadadores “criança” nadam bastante. Por essa razão, aos 30 anos, os atletas já estão de “saco cheio” de nadar… Até porque sejamos sinceros: Treinar natação não é super bacana! Ao contrário, é monótono, solitário e doído! Bem diferente dos esportes coletivos, onde você divide com seus companheiros de time;

3 – RENOVAÇÃO: Na medida que nadadores começam cedo, toda a vez que um “trintão” vai tentar sua vaga olímpica, tem algum (ou alguns) garoto(s) de 19-22 anos também quase chegando lá! Fato (3)! Apesar de menos experientes, outros atributos ligados à juventude podem definir quem bate na frente;

4 – FISIOLOGIA: “Moleques” de 19-20 anos, podem produzir 15% mais Gh (IGF – hormônio de crescimento) e 20% mais Testosterona do que “titios” de 30 anos! Fato (4)! Isso é MUITA coisa! E é fisiológico! Natural que os trintões tenham mais dificuldade de explosão muscular, força, velocidade e recuperação;

5 – ORIENTAÇÃO DE TREINO: Você já viu um corredor de 100 metros rasos (atletismo) treinando? Dificilmente vai ter alguma comparação com os treinos de nadadores de 100 metros livre (natação). Por mais que seja uma prova de velocidade, o componente aeróbico mostra-se necessário. Claro, uma prova dura 9 segundos, enquanto a outra 47 segundos. Meio óbvio saber porque a orientação é distinta. Por essa razão, nadadores tentem a treinar mais “volume”… ou seja, “rodam” mais… algo que corrobora com a fase de “saco cheio” dos 30 anos. Fato (5);

6 – LESÕES: Atletas de natação são conhecidos de forma errada por “não machucarem nunca”, pois estão em um meio com “menos impacto”… Ledo engano! Aliás, todo médico manda as velhinhas com artrite fazerem hidroginástica. Nada contra! Mas natação de alto rendimento não é hidroginástica. Afinal, nadadores lesionam sim, e bem mais do que qualquer um “leigo” possa imaginar! Fato (6). A repetição dos movimentos, de forma exaustiva e individual (não podes ir pro banco quando sente uma fisgada), é um grande agravante das lesões em atletas de natação;

7 – PATERNIDADE: Para atletas de rendimento, que dedicam sua vida ao esporte desde cedo, “a faixa dos 30” parece ser a idade ideal para traçar os planos da paternidade. Via de regra, até os 30 anos,  o atleta já deveria ter conquistado tudo o que ele objetivou para sua carreira, então parece ser o momento para ser pai. Quando viramos “pais”, passamos a dividir nosso foco, ainda que inconscientemente! Fato (7)! Certa vez li uma entrevista do Michael Schumacher falando sobre várias coisas, tanto do esporte como da vida. Afirmou certo momento que, para cada filho que ele teve, sua média de voltas piorou 0,2 segundos. Recentemente eu me tornei Pai, e posso afirmar que definitivamente nosso foco muda, e na hora de treinar não temos só natação na cabeça… outras preocupações habitam nosso cérebro… que afetam diretamente a qualidade dos treinos;

8 – PSICOLOGIA: Cá entre nós… Quando você é um atleta de alto rendimento com 19/20 anos, quais são suas únicas preocupações e diretrizes? Treinar, comer e dormir. Sem demérito nenhum (até porque eu já estive lá), nessa idade eu só queria treinar, competir e ganhar. Claro, nas horas vagas fazer uma festinha (afinal, ninguém é de ferro)! Já “lá” nos trinta, outras coisas pairam sobre nossos pensamentos. Já estamos casados, ou em vias de casar. Estamos adquirindo, ou pensando em adquirir um imóvel próprio. Já somos, ou gostaríamos de ser pais. Terminamos, ou estamos prestes a terminar uma faculdade. E principalmente, pelo menos uma vez com 30 anos, já pensamos o que vamos fazer depois de largar o esporte (natação). Esse “desvio” de pensamento e criação de dúvidas sobre a vida, apesar de ser uma evolução do jovem adulto, pode se mostrar um atraso para (o não mais tão) jovem atleta. Agora, não há exclusividade no objetivo de treinar e ganhar: Outras variáveis circundam nossa “pisquê”, que então passa a utilizar nossa energia psicológica para outros fins, encerrando a exclusividade de performance esportiva.

Eu sei que são apenas as minhas impressões, baseadas quase que totalmente em minha experiência de vida, mas ainda assim, eu acredito que muito do que eu escrevi aqui, pode ser corroborado cientificamente com estudos e artigos.

Fico aberto à discussões!

UM ABRAÇO!

FISCHER (Atleta, Marido, Pai, Advogado, Micro Empresário e metido à Jornalista Esportivo).

 

 

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

6 thoughts on “The Swimming “Facts”

  1. Fischer,

    Nunca tive talento pra almejar ser profissional, mas como atleta amador passei pelas mesmas dificuldades, aliás, continuo enfrentando, já que não deixei totalmente o esporte e ainda divido meu escasso tempo entre a vida pessoal/profissional com a de pseudo atleta.

    1. Então Marcos. Não desanime. Afinal, você não é o único. Inúmeras pessoas passam por situações similares à sua. A grande sacada é fazer do esporte algo prazeroso, sem estresse e cobrança. Se você consegue ir somente 3x por semana, durante 1h, fique feliz com isso, sem dúvida somente com esse tempo você está MUITO fora da curva média (que geralmente é sedentária).

      Parabéns! Um abraço.

  2. Fischer,

    A primeira etapa de todo o processo científico é a observação. Parabéns pela propriedade das que você fez…

    As questões que você coloca deveriam ser trabalhadas em nível de planejamento estratégico por federações, clubes e gestores da natação.

    Com olha de um ex-técnico acredito ainda que a qualidade e fundamentação de séries e educativos ainda carece de muito aprofundamento da nossa parte… Piscinas lotadas e uma pequena quantidade de atletas e técnicos que conseguem, de fato, individualizar treinamentos (volume, intensidade, progressão…) e olha que isto melhorou muito!!!

    Somos um país que se sobressai por talentos-sorte-oportunidade e não por planejamento… que teria que ter por base, boas observações, como as que você fez… sem falar da vontade e capacidade qualificada de gerência de todo o processo…

    Parabéns !!!

    1. Olá Américo! Obrigado pelas palavras. Na verdade apenas traduzi em letras o que senti na minha carreira, que acho que muitos sentem.

      O que você diz é verdadeiro também… carecemos de bons profissionais na base! Porque? Pois esses não são valorizados! Assim como tantos outros professores brasileiros.

      É um absurdo pensar que um professor da natação ganha em média, R$10,00 por hora/aula! Como é que esse profissional irá se motivar e estudar para ensinar as crianças a nadarem “direito”?

      Não dá! Não dá mesmo! Mas há quem diga que isso será solucionado com o tal do “legado olímpico”… chega a ser cômico, não?

      Um abraço!

  3. Fala Fischer tudo bem?
    Só agora vi a menção ao meu nome no texto, é uma honra e desculpe pelo atraso!
    Atendendo à solicitação, vi que você foi bem generoso na sua estimativa (o percentual medalhistas olímpicos com mais de 30 anos não chega a 20%). Fiz um levantamento (apenas provas individuais) e o percentual de medalhistas olímpicos 30+ é de somente 1%!
    Um abraço e parabéns pelo texto!

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