EM QUEM PODE-SE CONFIAR?!

Eu não gosto de falar de doping… O assunto é chato… Ainda mais quando o atleta que se manifesta ainda encontra-se na ativa.

Eu já estou aposentado. Pelo menos em âmbito nacional e mundial. Ainda participo de torneios regionais e Master, mas o propósito é outro e a “vibe” e outra.

Enfim, quando um atleta (ou ex-atleta) manifesta-se sobre a questão doping, o assunto fica desconfortável, pois muitos acham que é “papo muleta”. Sabe qual é?!

“Quebrei o pé, e só não ganhei por causa da muleta”!

Muleta é um sinonimo pra desculpa esfarrapada.

Mas retornando ao foco… Doping.

Eu não gosto de falar sobre a assunto, como já disse antes. Mas depois que você vê a enxurrada de atletas caindo no exame anti-doping (que cá pra nós ainda está BEM atrás da tecnologia do doping), é inevitável promover a seguinte indagação:

EM QUEM PODEMOS CONFIAR?

Atletas, técnicos, dirigentes, cartolas, patrocinadores, federações e confederações… Parece que ninguém escapa da desconfiança geral.

Qual o caso de maior repercussão: Lance Armstrong. Óbvio.

Mas e os tantos outros… E o caso Efimova? (clique AQUI).

Atletas em quem eu achava que poderia “confiar”…

Então, outra pergunta mais forte surge:

Existe mesmo, hoje em dia, um campeão 100% limpo?!

Dessas outras questões, irão surgir outras inúmeras: Porque não liberar? Deve-se punir mais? O controle pode ser mais intenso? Resolveria criar uma liga de esportes “doping free”? O que pesa mais, a moral, a ética ou a saúde? Existe ética no esporte? Qual atleta em alta performance, não faria de tudo para ser campeão? O que envolve a palavra “tudo” na questão anterior?

Já ouvi dizer sobre uma pesquisa (apenas boato), feita com um grupo “x” de atletas, onde 90% assumiram, hipoteticamente, aceitar o uso de uma substância proibida não detectável para o caso de se tornarem campeões do mundo (olímpicos). Seria esse um dado real? O dinheiro e a fama estão acima do moral e da ética? E da saúde? Você trocaria 10 anos de sua vida (morrer com 60 ao invés de 70) para ser um campeão olímpico?

O assunto é por DEMAIS polêmico… Mas chegou em um ponto em que eu não consegui deixar de escrever algo sobre o assunto… Afinal, ele está aí, na nossa cara!

E quem é o maior responsável por isso tudo? Nós? Os atletas? A mídia? O capitalismo? A indústria farmacéutica? Os educadores? Treinadores? Família???

São muito “pontos de interrogação” que surgem, e que incomodam mais do que se pode imaginar. Talvez para muitos não… Esses estão nas arquibancadas e querem apenas ver corridas mais rápidas, saltos mais altos, recordes quebrados, enterradas, homeruns, gol… Ou seja, os “super humanos”.

E para ser um “super humano”, o doping deverá sempre estar presente? Ou não?

O post de hoje não é conclusivo em nada, a não ser em uma questão. Hoje temos mais atletas dopados do que a 10 anos atrás. Ou pelo menos, descobrimos mais que antes.

UM ABRAÇO.

FISCHER.

p.s.: eu ainda acho que “dopar cavalo paraguaio” não adianta de nada… O cara que vence dopado, ainda é bom naquilo que faz, pois se não fosse, não venceria nem mesmo dopado… Mas essa não é a questão em xeque… ou será que é?!

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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