MEMÓRIA OLÍMPICA

Já está no ar a entrevista que eu concedi ao site:

www.memoriaolimpica.com.br

Confiram abaixo ou AQUI.

ABRAÇO,

FISCHER.
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Eduardo Fischer (natação)
Por Nayara Barreto e Thyago Mathias
Site do atleta: http://www.eduardofischer.com.br

Uma estrela olímpica deixa as piscinas.

Semifinalista em Atenas 2004, bronze no Mundial de Curta 2000 e bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo 2003, o nadador catarinense Eduardo Fischer despede-se das piscinas em 2012.

Formado em Direito e uma das vozes mais críticas do esporte brasileiro em relação à organização do próprio esporte – em particular, da natação, que o consagrou –, Fischer conta ao Memória Olímpica os detalhes por trás de sua decisão, fundamenta seu ponto de vista crítico e compartilha experiências que retratam a necessidade de preparo psicológico, tanto quanto físico, na construção de um atleta de alto rendimento.

Memória Olímpica: Muitos atletas começaram sua relação com os esportes por diversão, na infância, como foi o seu caso, mas chega um momento que o esporte precisou ser encarado com mais seriedade. O quão tênue é a linha que separa o esporte por prazer do esporte como profissão?

Eduardo Fischer: Primeiramente, é importante pontuar que, infelizmente, no Brasil, dependemos somente da força de vontade e da garra de atletas para que passem essa barreira da diversão para o profissionalismo. Não contamos com políticas de incentivo e propagação de esporte em massa e isso é bastante negativo. Na natação, pelo menos, não temos programas específicos que ajudem e orientem as crianças nessa passagem para que se tornem atletas profissionais. Esporadicamente, temos atletas que a rompem e entram na piscina, às vezes como tratamento por problemas de saúde, e são descobertos por treinadores e estimulados a se tornarem atletas de alto rendimento. Deveria haver uma campanha massiva para a formação de grandes atletas.

MO: Como foi o processo até se tornar um atleta de alto rendimento?

EF: Não foi muito diferente em relação à maioria dos atletas. Entrei muito cedo para a natação, porque meu pai incentivou. Além disso, sempre tive contato com mar e piscina. Então, havia uma necessidade em aprender a nadar o mínimo possível para que não acontecesse o pior em nenhuma situação de risco. Junto a isso, sempre fui um garoto muito ativo. Minha matéria preferida na escola era a educação física. Aquela inserção nos esportes era muito prazerosa para mim. Depois, comecei a treinar no clube e ver no treino um momento lúdico e prazeroso mesmo. Gostava muito de ficar além do tempo e chegar antes, pois aquilo para mim era uma paixão. Pela facilidade que tive nas aulas, o Ricardo (Gebauer de Carvalho), que foi meu técnico a vida inteira, percebeu minha afinidade com a água, me chamou para fazer parte da equipe e, daí para frente, passei a me dedicar ainda mais e a encarar a natação como um projeto profissional.

MO: Você saiu despontou do Joinville Tênis Clube. Como você avalia o incentivo dado ao esporte nas escolas? Como vê a formação de atletas de alto rendimento não dentro das escolas e sim em clubes?

EF: Sem dúvida o incentivo para formar grandes atletas deveria partir mais da própria escola. Um ótimo exemplo que podemos citar é o dos Estados Unidos. Lá existe um grande incentivo dentro das escolas, desde muito cedo. Quando as crianças norte-americanas começam a fazer o segundo grau, já existe uma equipe específica voltada para o treinamento desses jovens, já tem bolsa de estudos para os que se dedicam, por exemplo. Assim como lá, nosso país precisa saber a importância do esporte na vida do jovem e precisa haver um grande investimento nesse aspecto. Investimento não só nas escolas de nível médio, mas dentro das universidades também. Precisamos criar uma cultura maior para a massificação dos esportes dentro das escolas e dentro das universidades. Além disso, é necessário também que haja a valorização do atleta como um atleta olímpico. Aqui no Brasil, não temos uma memória olímpica realmente valorizada, valoriza-se muito os jogadores de futebol, e isso deveria mudar para que houvesse mais a valorização do esporte olímpico. Todos esses fatores fazem com que o esporte olímpico e o investimento nas escolas sejam realmente precários. Incentivar mais o esporte nas escolas é uma via importante, mas para conseguirmos alcançar essa via, serão anos de mudança cultural, inserção de nossas crianças e de criação de novas políticas. As coisas não mudarão de um dia para o outro, há a necessidade da interferência constante e incisiva do poder público com projetos que tragam meios para que a escola e a universidade possam interagir com os esportes olímpicos. Mas isso, infelizmente, não está na nossa cultura, por isso a mudança é muito mais gradual.

MO: Como você tomou a decisão de assumir uma carreira como advogado? Isso interferiu nas suas decisões como atleta?

EF: Meus pais sempre foram muito centrados. Quando comecei a despontar na natação e a fechar meus contratos, eles me orientaram, esclareceram a vontade deles de me apoiar como atleta, mas também salientaram a importância dos estudos em minha vida. Com esse tipo de esclarecimento, entendi que, mesmo se demorasse mais alguns anos para me formar, não poderia deixar de fazer a faculdade, pois um atleta não consegue viver do esporte a vida inteira, chega um momento em que todo seu condicionamento muda e seu rendimento também. Assim, continuei estudando, pois sabia que uma hora o retorno financeiro através da natação acabaria e, tendo outra formação, poderia dar continuidade a uma carreira paralela. No meu caso, como advogado. Gostaria de passar isso como lição para os jovens atletas, para que não deixem de estudar. Mesmo que consigam glórias olímpicas e uma situação financeira estável para se aposentarem e que não seja necessário fazer um curso superior… Mesmo assim, diria que é importante estudar para que tenhamos atletas que, no futuro, possam contribuir em outros aspectos para a sociedade, além do esporte.

MO: Você participou de duas olimpíadas: Sydney 2000, na Austrália, e Atenas 2004, na Grécia, onde foi semifinalista. Conte-nos algumas histórias marcantes destas experiências olímpicas.

EF: Em Sydney, eu era muito novo, tinha acabado de fazer vinte anos e passei de um atleta completamente desconhecido para uma esperança de medalha olímpica. As coisas aconteceram muito rápido para mim. Foi uma experiência fantástica, só lamento ter recebido tão pouca preparação psicológica para que meu resultado pudesse ter sido melhor. Esse é um grande problema no Brasil, resultado de não termos uma política mais integrada na formação de atletas. De uma hora para outra, havia me tornado um dos melhores atletas do Brasil, estava na seleção brasileira e estava indo para a Austrália, para nadar a competição mais importante do mundo. Por isso, creio que naquela olimpíada não estava preparado psicologicamente para fazer meu melhor resultado. Eu me lembro de estar muito nervoso. O atleta sente o peso de estar ali representando toda a nação, o país. A expectativa não é somente a da sua família. É a de milhões de brasileiros. A gente sente essa pressão, quer fazer um resultado melhor e ao mesmo tempo está aterrorizado com toda aquela responsabilidade. O que me lembro é desse grande nervosismo, que interferiu no meu resultado. Já em Atenas, estava um pouco mais maduro, mais focado, queria buscar uma final olímpica, já tinha passado por uma experiência, então foi mais tranquilo. Consegui participar de uma semifinal olímpica e aquilo para mim, na época, foi uma grande vitória. Por mais que não tenha alcançado meu foco, que era fazer parte da final olímpica, foi uma grande vitória chegar aonde cheguei, saindo de uma cidade pequena, passando por dificuldades… mesmo assim eu havia chegado a uma semifinal da competição mais importante do mundo. Ali, eu já era um grande vencedor.

MO: Dentre suas conquistas individuais, estão o bronze no Mundial de Curta 2000, o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo 2003 e muitas medalhas em etapas de Copa do Mundo e outras tantas em campeonatos brasileiros. Qual ou quais delas lhe marcou mais? Por quê?

EF: É complicado apontar uma realização que seja a mais importante, pois todas vêm através de muita luta, mas considero a medalha de bronze no Mundial de Curta, um dos feitos mais importantes na minha carreira. Na época, era um garoto muito franzino que estava recém entrando na seleção brasileira e era meu primeiro mundial e nadei aquela prova contra atletas que depois vieram a se tornar campeões olímpicos. Foi uma prova na qual nadei mais tranquilo, com uma olimpíada nas costas. Já havia passado por aquela experiência e tinha consciência de muitas coisas, inclusive de minhas capacidades. Além disso, foi nessa ocasião que um treinador norte americano reconheceu em mim um potencial e me ofereceu a oportunidade de treinar fora. Isso trouxe uma enorme confiança e maturidade para minha carreira e possibilitou a conquista daquela medalha, inédita para o Brasil. Ter conquistado um feito inédito para o país e ter quebrado várias barreiras pessoais fizeram dessa medalha um marco em minha carreira.

MO: Em 2011, você e outros nadadores, como César Cielo e Joana Maranhão, criticaram duramente a postura do presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), pedindo a renúncia dele ao cargo que ocupava há anos. Poderia falar um pouco sobre a política que envolve as confederações hoje e como isso influi nos resultados do esporte brasileiro?

EF: Infelizmente, hoje, as confederações estão muito ligadas à política de nosso país. Considero isso uma coisa muito prejudicial. Não deveria haver lobby político, não deveria haver favores e influência política envolvendo confederações, o erro já começa aí. Quando o esporte é misturado com política, com favores, com verbas públicas não declaradas, tudo fica muito complicado. No caso da natação, tudo deveria ser mais claro e transparente já que é uma modalidade que recebe muita verba pública. Os dirigentes deveriam jogar mais limpo quando o assunto gira em torno disso, deveria haver um planejamento e um controle maior. Além disso, deveria haver uma legislação que regulamentasse os mandatos dentro das confederações. Deveria haver uma obrigatoriedade de renovação das presidências, até porque quando se tem uma obrigação em mudar, isso faz com que os presidentes façam um melhor trabalho, sendo mais transparentes, por exemplo. Resumidamente, as confederações deveriam focar menos em política e mais em esporte. O nome “política esportiva”, para mim, é um pouco incoerente, pois política é uma coisa e esporte é outra. Deveria haver mais uma “educação esportiva” e isso não acontece. Como a preocupação maior dos presidentes acaba sendo troca de favores, aparições públicas e políticas, o atleta e o esporte acabam ficando para segundo plano. A preocupação principal dos presidentes deveria ser conseguir melhores condições para os próprios atletas, pois o atleta é a grande estrela da confederação. Infelizmente, a realidade das confederações hoje não possibilita isso.

MO: Na ocasião, você relatou situações de desrespeito a atletas. Até que ponto, então, deve ir a paixão e a busca por um sonho? Acredita que a pressão em cima dos atletas de ponta mudou muito ao longo dos anos?

EF: Na verdade, o atleta não tem muita escolha, pois a única forma de ele conseguir a vaga na seleção e em competições é por meio da confederação. Por isso é complicado reivindicar condições adequadas. No início de minha carreira, isso também aconteceu comigo e achava que era normal, que fazia parte do processo, que, se não aceitasse as condições, não conseguiria meus objetivos. Muitos atletas acabam, sim, se conformando, pois aceitam aquilo como estágio para chegar ao topo e temem ser excluídos, caso desobedeçam qualquer ordem. No entanto, as coisas precisam mudar e por isso me posicionei como um atleta que fala e denuncia o que acontece. Os atletas que estão chegando agora precisam saber que essas situações não são normais e não devem acontecer. Aos poucos, eles mesmos vão se reunindo e conversando, vendo o que está errado, questionando e fazendo com que a realidade mude e assim podem entender que o sonho é possível de maneira mais justa e digna. Claro que isso tudo não vai mudar de um dia para o outro, mas isso melhorou muito e tende a melhorar mais ainda, pois quanto mais se fala e mais se denuncia, mais consciente os jovens atletas ficarão. Por isso, nutro essa minha vontade de falar, de levar informação e de conscientizar e alertar a nova geração, para que não se conforme com tudo o que está errado, pois sua dignidade é muito importante na busca de um objetivo.

MO: O que poderia mudar na forma como o esporte é incentivado e ensinado hoje nas escolas, principalmente as públicas?

EF: Sem dúvida, o Brasil precisa de mais projetos e mais informação. Mais do que isso, as escolas precisam de apoio do poder público e que sejam feitos projetos de incentivo, para que tenham infraestrutura. Isso é necessário para que consigam dar aos jovens e crianças a formação necessária, para que se consiga mudar gradativamente esse aspecto cultural, para que possamos dar mais valor ao atleta olímpico e perceber que ele pode dar grandes retornos e alegrias ao país.

MO: Você é bastante ativo politicamente quando o assunto é esporte. Pode nos falar um pouco da importância da Internet para disseminação de informação e democratização do esporte?

EF: A mídia alternativa, a internet e os outros veículos precisam ser massivamente utilizados para dar voz aos que são constantemente calados. Além disso, o jornalista esportivo tem uma grande missão de tornar a prática esportiva melhor e mais valorizada, faz parte da função social dele. Infelizmente, isso acontece de forma distorcida. Essa função social se perdeu um pouco e existem outras prioridades políticas e financeiras que envolvem o esporte e a mídia. Outra coisa é que o canal de comunicação que sabe sobre coisas erradas, mas não busca informação, está sendo conivente com a situação. Já a internet e as mídias digitais, em geral, desempenham um papel não só como meio de divulgação do esporte, mas como uma grande rede de interação. Esta interação é o aspecto mais positivo para a circulação de informação como vetor de mudanças e de massificação do esporte.

MO: O esporte, por sua vez, virou um espetáculo rentável. O que mudou, especialmente em relação aos valores do olimpismo?

EF: Não sei dizer se é bom ou ruim, mas digo que isso é inevitável. Não tem como frear a transformação do esporte em um show. O que o público quer ver é show, quer se entreter, quer se divertir, quer ver mesmo aquela coisa espetacular. Se você pergunta para algum torcedor leigo, se ele acha interessante ver uma competição sem recorde mundial quebrado ou sem medalhas para o seu país, ele vai responder que não, pois o torcedor gosta disso, do espetáculo, da vitória, da festa. E isso tem se tornado bastante rentável, sim. A mídia sabe e já entendeu que o retorno financeiro vem do grande espetáculo. Com isso, os jogos olímpicos se tornaram um grande negócio, mais do que um evento esportivo. Alguns valores talvez até tenham sido perdidos, mas creio que, no fundo, o atleta que ali compete tem ainda os valores do olimpismo muito aflorados. Por mais que a competição tenha se tornado espetáculo, o atleta é constituído pelos mesmos valores que antes. O atleta sabe o valor esportivo que uma olimpíada tem. Isso faz com que valorize a competição esportiva em si e deixe de lado os outros fatores que poderiam corromper os valores olímpicos. Na hora H, o que pesa muito no coração do atleta é a competição esportiva, é a representação de seu país, é a emoção de sua luta… É o espírito olímpico que toca a grande maioria dos atletas e isso não muda.

MO: Como foi a decisão de parar de competir? Quais são os planos daqui para frente?

EF: Foi uma decisão bastante difícil e que pesa muito psicologicamente, sentimentalmente… mexe com vários sentimentos de um atleta. Comecei a treinar para competição aos 11 anos. Hoje, estou com 31. Foram 20 anos me dedicando a essa paixão, então não é fácil parar… Decidir e efetivamente parar. Por mais da metade da minha vida, respirava, comia, dormia natação, sempre muito focado, muito centrado e colocando tudo de mim. O atleta se acostuma com aquele prazer de dar o máximo de si nos treinos, o prazer de tanto esforço, a alegria de representar o país, tudo isso pesa, mas devemos saber que chega a hora de parar. O esporte não é algo que o atleta consegue levar em alto rendimento por toda a vida. Meu resultado já não estava alcançando mais um patamar desejado e isso estava me frustrando. Depois de pensar e refletir bastante, tive certeza de que havia chegado a hora. Não deixarei de nadar, até porque ainda tenho compromissos, mas não será com tanta competitividade, mas estou parando satisfeito com tudo que fiz e realizei. Conheci o mundo através do esporte, deixei marcas, deixei amigos. Tenho consciência do dever cumprido. Tudo o que pude fazer por meu país e por mim, eu fiz com amor e dedicação.

MO: Como avalia o problema do doping nos esportes?

EF: É um problema que existiu, existe e vai continuar existindo. As pessoas que querem ganhar vantagem de uma maneira ilícita vão sempre existir. A grande dúvida é se a campanha antidoping vai conseguir andar na frente do próprio doping, se a tecnologia dos testes vai conseguir ultrapassar a tecnologia do doping. Encontramos muitos atletas que fazem uso de substâncias para aperfeiçoar seus resultados. É um problema sério e devemos pensar alem do que é legal ou ilegal, devemos pensar no que é ético e saudável. A partir do momento em que criarmos uma cultura em que a ética, a educação e a moral da pessoa sejam mais valorizadas, consequentemente teremos ações mais conscientes em relação a qualquer aspecto da vida, inclusive quanto ao doping.

FRASES:

“As confederações deveriam focar menos em política e mais em esporte. O nome “política esportiva”, para mim, é um pouco incoerente, pois política é uma coisa e esporte é outra. Deveria haver mais uma “educação esportiva” e isso não acontece…”

“Infelizmente, hoje, as confederações estão muito ligadas à política de nosso país. Considero isso uma coisa muito prejudicial. Não deveria haver lobby político, não deveria haver favores e influência política envolvendo confederações, o erro já começa aí. Quando o esporte é misturado com política, com favores, com verbas públicas não declaradas, tudo fica muito complicado.”

“Não contamos com políticas de incentivo e propagação de esporte em massa e isso é bastante negativo. Na natação, pelo menos, não temos programas específicos que ajudem e orientem as crianças nessa passagem para que se tornem atletas profissionais.”

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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