FALOU E DISSE….

Achei oportuno, e por isso faço cópia aqui.

UM ABRAÇO.

FISCHER.

(Do Blog do Cruz)

A bronca oportuna de Jackie Silva

“Existe esse grande negócio chamado Olimpíada, mas nesse cenário cada um está apontado para um lado. Como atleta olímpica, tenho que estar dentro desse movimento olímpico, mas, até agora, não me sinto parte dele”

Jacqueline Silva, ouro nas Olimpíadas de Atlanta -1996 no vôlei de praia, ao lado de Sandra Pires.

Disse mais:

“Muito do que acontece é culpa dos atletas. Nesse negócio do ministro do Esporte (denúncias que culminaram na queda de Orlando Silva), nenhum atleta falou nada. Foi como se o que estava acontecendo não importasse. Está errado”.

As manifestações de Jackie Silva – a primeira brasileira, com Sandra Pires, a ganhar uma medalha de ouro olímpica para o Brasil – estão na excelente reportagem de Luiz Roberto Magalhães, na edição de hoje do Super Esportes do Correio Braziliense.

A reportagem é grande e não consegui disponibilizar o link. Por isso, transcrevo alguns trechos da manifestação da ex-atleta. Confiram:

Legado Olímpico

“O que eu gostaria que acontecesse é que o legado fosse algo que não é palpável. O melhor que poderia ficar para os brasileiros não está nas obras. O país deveria trabalhar esse momento para desenvolver a educação. Deveria dar ao esporte a importância que ele tem. O Brasil tinha que fazer de tudo para usar a exposição das Olimpíadas do Rio nesse sentido”.

Projetos

“Tem uns três anos que eu tento colocar o vôlei dentro das escolas e não consigo”… “O que mais me irrita na vida é a falta de educação. Isso trava tudo o que nós conseguimos. O esporte precisa ser veículo de educação que tem que ser”.

Movimento Olímpico

“O movimento olímpico poderia ser revolucionário, se houvesse uma mudança no modo de pensar o papel do esporte no Brasil. Se ele fizesse parte da vida de todos os brasileiros, não só dos atletas, aí sim, teríamos uma revolução”.

Atletas

“Muito do que acontece é devido aos atletas. Em todos os grandes avanços que foram conquistados no país nessa área, os atletas estiveram presentes. Eu participei disso, na época da Lei de Incentivo ao Esporte. A força, ali, estava nos atletas. Eles são heróis. Eles têm credibilidade”.

Ministério do Esporte

“O Ministério do Esporte é a nossa casa. É onde tudo começa. Lá, tinha que existir uma comissão com os atletas. Mas os próprios atletas não se colocam nessas discussões”.
Memória.

No governo FHC, época do Ministério do Turismo e Esporte, havia uma Comissão Nacional de Atletas, idealizada pelo então secretário nacional de esporte de alto rendimento, Lars Grael, e com expressiva representatividade.

Com o passar do tempo, os atletas tornaram-se dependentes do Ministério, que subsidiava as passagens e hospedagens a cada reunião. Isso criou um constrangimento no grupo, quando precisava se posicionar contra uma decisão governamental.

Lars Grael sugeriu que a Comissão se tornasse independente, a fim de agir de forma livre, independente. A idéia ficou apenas nisso e, com o tempo, o grupo se desarticulou.

Como está

Desde 2009 há uma Comissão de Atletas no Comitê Olímpico, porém com forte influência da estrutura comandada pelo presidente Carlos Nuzman.

Tanto, que o primeiro presidente não foi eleito, mas indicado, Bernard Rajzman, ex-jogador de vôlei da geração de prata.

Da comissão fazem parte atletas como Hortência (basquete), Doda Miranda (hipismo), César Cielo (natação), Daiane dos Santos (ginástica), Hugo Hoyama (tênis de mesa), Natália Falaviga (taekwondo), Rogério Sampaio (judô), Sandra Pires (vôlei de praia), entre outros.

No entanto, em dois anos, qual foi a contribuição dessa comissão ao esporte nacional com repercussão nos atletas em geral?

Quantas vezes cada um deles se reuniu com seus colegas de modalidades para discutirem questões e problemas afins?

Com a influência do COB e do presidente Bernard, intimamente vinculado à estrutura do Comitê, os atletas tem independência para tratar dos assuntos que afligem a classe?

Enfim, parece-me que essa comissão segue os mesmos rumos da que existia nos tempos de FHC: apenas para constar diante do Comitê Olímpico Internacional.

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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