DO BLOG DO ALBERTO MURRAY…

Nesta semana assisti à reprise de um episódio do Ponta Pé Inicial, aqui na ESPN Brasil, apresentado por Dudu Monsanto e José Trajano. O programa levou ao ar cenas do comício final da campanha do educador Darcy Ribeiro para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Foi muito interessante. Trajano, um dos organizadores do evento, levou à passeata um elefante de verdade.

Era época da redemocratização do Brasil. A cena me fez relembrar daqueles momentos especiais que o País vivia, em que assistíamos, felizes,a derrocada da ditatura, da censura, da tortura.

Felizes daqueles que participaram daqueles momentos. Não estava naquele comício do Darcy. Mas estava torcendo por ele. Em São Paulo participava de outros movimentos políticos contrários à ditatura. Aos 14 anos participava das reuniões do PT, que estava recém formado. Ía às reuniões do diretorio que ficava na Rua João Cachoeira. Meu avô me levava no carro dele e ficava esperando na porta a reunião acabar. Ía aos comícios na Praça Charles Miller. Ouvia com a máxima atenção os novos líderes que estavam surgindo. O PT era, para mim, aquilo que mais oposto havia àquele regime brutal. Nunca poderia crer que, algum dia esse mesmo partido tornar-se-ía a esbórnia que é hoje. E que quase todos que víamos no palanque, anos mais tarde, seriam os próceres do mensalão. Com 16 anos, sem carteira de motorista, saia com uma variant verde, emprestada, para fazer a campanha do Lula ao Governo de São Paulo, em 1.982. Depois veio a campanha pelas Diretas Já, suprapartidária. Não me esquecerei da passeata que começou na Praça da Sé e terminou no Vale do Anhangabau, com mais de um milhão de pessoas, de todas as idades e classes sociais, com o mesmo objetivo: recuperar um direito básico da cidadania, votar para presidente.

Lembro-me que a rede Globo de televisão ignorava a passeata no centro de São Paulo, como se nada estivesse acontecendo. Em um dado momento, pressionada pelos fatos, outra alternativa não houve à Globo senão entrar com cenas ao vivo daquela belíssima manifestação popular.

Foram momentos especiais do Brasil. Felizes daqueles que sairam às ruas e que ajudaram a dar o golpe de misericórdia no já cambaleante regime autoritário.

O Ponta Pé inicial me fez lembrar daqueles tempos.

NOTA DO FISCHER:

Meu Pai volta e meia me conta histórias interessantes sobre o cenário político do Brasil anos atrás. É um conhecimento engrandecedor. Penso que devemos SEMPRE brigar por aquilo que achamos certo, e SEMPRE “batermos” de frente contra as decisões que vem de cima para baixo, de forma ditatorial.

About Eduardo Fischer

Eduardo Fischer é catarinense e natural de Joinville. Ex-Atleta Olímpico de natação da seleção brasileira e medalha de bronze no Mundial de Moscou, Fischer defendeu o país em dois Jogos Olímpicos (Sydney/2000 e Atenas/2004), 6 Campeonatos Mundiais e 1 Pan-Americano (Prata e Bronze). Bacharel em Direito e Advogado pela OAB/SC, Eduardo é especialista em Direito Empresarial pela PUC/PR e em Direito Tributário pela LFG/SP. Atualmente aposentado das piscinas, trabalha com Consultoria Tributária em um respeitado escritório de Advocacia (CMMR Advogados).

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